quarta-feira, 28 de julho de 2010

Nino Miraldi - Momento para uma homenagem


EXEMPLO DE VIDA, FÉ E DOAÇÃO

Padre Nino Miraldi atuou na Baixada Fluminense de 1980 até 1990, dirigindo uma paróquia que compreendia os bairros de Califórnia, Fraternidade, Vila Nova, Santo Elias, Juscelino e Jacutinga. Era a antiga paróquia de São José Operário – Califórnia, que após a sua morte foi dividida em duas paróquias: a de São José Operário e a de Santo Elias.

Nascido na Itália, filho de família influente, tendo abandonado a faculdade de Medicina, tentou a carreira Diplomática, mas acabou conquistado por sua vocação e fez opção pelos mais pobres. Escolheu evangelizar no Brasil, começando em Vila Kennedy, subúrbio do Rio de Janeiro, veio posteriormente, atuar na Diocese de Nova Iguaçu, e junto com o Bispo Dom Adriano Hipólito e outros padres vivenciou a opressão da Ditadura Militar.

Fundou as comunidades católicas de Nossa Senhora da Conceição em Juscelino, Santa Luzia e Divino Espírito Santo em Vila Nova, Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora Aparecida e a Capela de São Francisco em Jacutinga. Fundou também uma escola profissionalizante e uma creche no mesmo bairro.

Dava sinais claros de solidariedade, humildade e auto doação, quando fazia questão de residir no bairro de Santo Elias, na rua que hoje leva o seu nome, ficando assim, bem próximo aos mais carentes. Era comum Pe. Nino ser chamado no meio da madrugada para levar moradores ao hospital, e ele os levava, em uma época em que o bairro de Jacutinga apresentava os piores índices de violência da Baixada Fluminense.

Apoiava fortemente a campanha de doação de alimentos para os mais pobres, chamada Campanha do Quilo.

Incentivador das organizações populares e da formação política, antes da Assembléia Constituinte de 88, levou o debate para dentro das casas dos fiéis, explicando, em grupos didáticos, a importância da Constituição para o país.

Influenciava incessantemente os jovens para que eles buscassem formação pessoal e participação social. Sua influência atingiu pessoas conhecidas como o atual Prefeito de Mesquita, Artur Messias e a coordenadora de Gestão Participativa da Prefeitura Gisela Barros. Também a jovens menos conhecidos que fundaram a Associação Cultural Nino Miraldi em Jacutinga onde funcionam o pré-vestibular, a biblioteca e outros serviços comunitários.

Mesmo vinte anos após seu falecimento o exemplo de Padre Nino Miraldi permanece vivo entre os que o conheceram e é apaixonadamente recordado para todos aqueles que não tiveram a oportunidade de conhecê-lo.

Diante da desvalorização da vida em uma sociedade consumista que incentiva a superficialidade nas relações humanas e trata com indiferença a exclusão dos mais necessitados, recordar Nino Miraldi, para muitos, é mais que um alívio, é também motivo para questionar tudo isso. Alguns, talvez os mais humildes de coração, vão além e acreditam que ele realmente foi um homem santo.

Em 29/07/2010 - 20 anos de seu falecimento.
André Souza

8 comentários:

  1. Eu era muito garoto quando conheci Pe Nino na Vila Kennedy. Mas lembro-me da sua constante peregrinação com o Pe jacinto junto às famílias em suas casas, nos grupos de jovens e nos Círculos Bíblicos que, aliás, funcionavam a pleno vapor, se assim podemos falar. Nino Miraldi foi para aquela comunidade um verdadeiro exemplo de fé, o maior legado até hoje deixado naquela comunidade. Ele, Nino, foi o maior exemplo do que é estar junto aos pobres. Mas seu trabalho, que pena, foi interrompido pelas mãos de ferro de um bispo (D. Eugênio A. Sales) que nunca esteve ao lado dos pobres, mas sim ao lado dos “senhores” da ditadura militar em seus palanques em busca deste modelo de Igreja que aí está: a Igreja da Renovação Carismática, descomprometida e sem nenhum comprometimento social, cheia de desequilibrados e pedófilos, dizimistas e papa dízimos, cheia de pop’s – Marcelo Rossi & Fábio de Melo S/A, etc. Lamentável!
    Carlos Marcelo (ccamasi@yahoo.com.br)

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  2. Gostaria de saber mais informações sobre o Padre Nino Miraldi.Meu nome é Rafael e meu e-mail:rafael.vilardo@ig.com.br

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  3. Saudações Andre (Solitédio)...
    Saudades de voce irmão; onde andas??

    Procurando lembranças do Pe. Nino encontrei esssa sua merecida homenagem...

    Vamos nos encontrar...
    Eis o email:
    clapersil@ig.com.br.

    Fraternal abraço,

    Claudio Pereira (Sapulha- CTUR)

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  4. Fátima, eu tive o privilégio de conviver com o padre Nino Miraldi a partir de l970, na comunidade católica Bom Pastor, no Catiri, em Bangu e sofri o pesar de companhar seu sepultamento em 1990.
    Por mais exaltados que sejam os elogios a êle dirigidos, ainda serão poucos, muito embora êle nunca os aceitasse. Lembro bem de quando alguém, não raramente, dizer que êle levava vida de santo, após a irônica gargalhada, responder: Vocês não sabem o que ésantidade. Compartilho, com vocês, as saudades imensas.
    Jaguaritá Oliveira - jaguaritl@globo.com

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  5. Fátima, convivi com o Padre Nino de 1982 até a véspera de seu falecimento, em 1990, quando ajudava em seu trabalho junto à Comunidade de Jacutinga. Assim como todos que com ele conviveram, passados 21 anos de sua estada conosco ainda o sinto vivo: até hoje me beneficio de suas palavras, de seu exemplo de amor pelas pessoas, pela vida; de sua alegria, sua integridade, sua inteligência. Como vocês, tive o privilégio de partilhar da vida desse cristão e assim poder trazer até hoje essa amizade como uma marca, que levarei até o fim da minha própria história.Quando reencontro os mais pobres, também eles se mostram marcados por esse mesmo afeto...suelimmacedo@uol.com.br

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  6. Hoje encontrei meu amigo Andre e tive duas alegrias a primeira de encontrá-lo e a segunda de relembrar do grande Pe. Nino Miraldi.Falar do Nino leva horas ele era um grande amigo e um grande homem conseguia enxergar tudo e todos ele sim tinha um verdadeiro amor ao próximo acreditava nas pessoas tinha fé era iluminado.Me lembro quando ele chegava lá em casa dizendo que tinha um retiro na casa de oração eu não pensava duas vezes pegava minha mochila e o acompanhava.Nino vivia a verdadeira vocação sem esperar aplausos e sim ajudar sempre.Eu batizei o meu filho de Nino para homenageá-lo e nunca esquecer dessa pessoa maravilhosa que passou em nossas vidas. Andre você foi muito feliz um grande abraço.

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  7. Trabalho em um CIEP, no bairro da Jacutinga em Mesquita, e sempre tive curiosidade de saber um pouco da história do padre que foi homenageado, dando seu nome ao local onde trabalho (CIEP 431 - Padre Nino Miraldi). Pelo que li, um exemplo de pessoa, tomara que não fique esquecido e sua história se torne exemplo para muitos.

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  8. Gente, quando eu ainda era criança em 1972, conheci o Padre Nino na Capela Bom Pastor no Catiri em Bangu, com ele eu fiz parte da minha catequese e outros tantos de reuniões das Comunidades Eclesiais de Base, ele foi meu confessor, amigo mais velho brincalhão (quem é que conseguia dar um bolo na mão dele?) e foi quem realizou minha primeira comunhão... a humildade prestatividade era sua maior marca... nunca deixou de pensar pelo que eu imagino, que quem fosse cristão de verdade, deveria mesmo compartilhar tudo que tinha.... não era discurso isso,,, era a sua realidade... Nunca se prestou a ser exemplo... sempre foi um verdadeiro testemunho de fé e caridade verdadeira... ele sempre Se deu... Perdi um amigo e tenho certeza, ganhamos um anjo da guarda...

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