terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano não apenas pintado de novo,
remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados,
começando pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo,
eu sei que não é fácil, mas tente,
experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

sábado, 31 de outubro de 2009

Hero Mariah Carey

There's a hero, if you look inside your heart.
You don't have to be afraid of what you are.
There's an answer, if you reach into your soul,
And the sorrow that you know will melt away.

And then a hero comes along, with the strength to carry on,
And you cast your fears aside, and you know you can survive.
So when you feel like hope is gone,
Look inside you and be strong,
And you'll finally see the truth, that a hero lies in you.

It's a long road, when you face the world alone.
No one reaches out a hand for you to hold.
You can find love, if you search within yourself,
And the emptiness you felt will disappear.

And then a hero comes along, with the strength to carry on,
And you cast your fears aside, and you know you can survive.
So when you feel like hope is gone,
Look inside you and be strong,
And you'll finally see the truth, that a hero lies in you.

Lord knows, dreams are hard to follow.
But don't let anyone, take them away- ay ay.
Hold on, there will be tomorrow.
In time, you'll find the way.

And then a hero comes along, with the strength to carry on,
And you cast your fears aside, and you know you can survive.
So when you feel like hope is gone,
Look inside you and be strong,
And you'll finally see the truth, that a hero lies in you .

That a hero lies in... you
That a hero lies in... you

http://vagalume.uol.com.br/mariah-carey/hero-1.html

domingo, 25 de outubro de 2009

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Agosto 1964 - Ferreira Gullar

Entre lojas de flores e de sapatos, bares,
mercados, butiques,
viajo
num ônibus Estrada de Ferro-Leblon.
Volto do trabalho, a noite em meio,
fatigado de mentiras.

O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbaud,
relógio de lilases, concretismo,
neoconcretismo,
ficções da juventude, adeus,
que a vida
eu compro à vista aos donos do mundo.
Ao peso dos impostos, o verso sufoca,
a poesia agora responde a inquérito policial-militar.

Digo adeus à ilusão
mas não ao mundo. Mas não à vida,
meu reduto e meu reino.
Do salário injusto,
da punição injusta,
da humilhação, da tortura,
do terror,
retiramos algo e com ele construímos um artefato

um poema
uma bandeira.

(Dentro da noite veloz & Poema sujo, São Paulo: Circulo do Livro.)

Morte e vida severina - João Cabral de Melo Neto

O retirante explica ao leitor quem é e a que vai

Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Literatura

"Literatura : Um movimento que move mentes."

Contribuição do amigo Allan Almeida - IOB - 13.10.09

domingo, 27 de setembro de 2009

Fraudes na Internet

Conheça os principais golpes em circulação na internet hoje através do catálogo criado pelo Centro de Atendimento a Incidentes de Segurança (CAIS) da RNP

Fraudes identificadas e divulgadas pelo CAIS
A partir de 2008, todas as fraudes identificadas pelo CAIS estão sendo ordenadas de acordo com a data de distribuição e disponibilizadas para consulta, com o intuito de conscientizar a comunidade sobre os principais golpes que estão em circulação.
Adicionalmente, o CAIS envia alertas de segurança através da lista CAIS Alerta quando uma fraude mostra-se particularmente perigosa aos usuários de computadores.
Reporte fraudes:
links maliciosos: artefatos@cais.rnp.br

páginas falsas de instituições: phishing@cais.rnp.br
Total de fraudes cadastradas: 901
Veja algumas:

Total de fraudes cadastradas: 901

tipo
Comunicado da Receita Fedral
ID: 2391
data
25/09/2009
de
receita-bancocentral@gov.br
assunto
Recadastramento de Urgencia
tag
receitafederal
informações
Imagem 1Texto da mensagem
arquivo malicioso
Indisponível
comentário
Mensagem falsa comunicando a união de banco de dados de bancos e administradoras de cartões de crédito, sendo "expressamente obrigatório a atualização dos dados junto às instituições". A fraude possui links para diversas instituições onde deveriam ser feitas... (leia mais)
tipo
Pedido de adição de amigo no Orkut
ID: 2396
data
25/09/2009
de
communications_msn_cs_ptbr@microsoft.msn.com
assunto
Orkut - GABRIELA quer ser seu amigo no Orkut.
tag
orkut
informações
Imagem 1Texto da mensagem
arquivo malicioso
smsorkut.com
comentário
Mensagem falsa se passando por notificação do Orkut sobre convite para amizade no Orkut enviado por uma pessoa de nome Gabriela Perony. A mensagem fornece um link para a vítima acessar seu perfil e confirmar ou rejeitar o pédido. O link leva a um malware... (leia mais)

Acesse http://www.rnp.br/cais/fraudes.php para conhecer outras fraudes que circulam pela internet.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

EncontrArte

SESC Nova Iguaçu e Espaço Cultural Sylvio Monteiro

Encontro de Artes Cênicas da Baixada Fluminense
Pelo oitavo ano consecutivo, o Sesc Nova Iguaçu sedia o Encontro de Artes Cênicas da Baixada Fluminense, uma das mais importantes mostras de espetáculos teatrais do estado. Este ano, o EncontrArte oferece gratuitamente ao público, do dia 23 de setembro até 3 de outubro, 16 espetáculos de qualidade, oficinas e performances de teatro, dança e música com artistas da Baixada, antes da encenação das peças e no encerramento. A distribuição de ingressos começa uma hora antes do início das atrações. Para os espetáculos infantis e infanto-juvenis a recomendação etária é de 3 a 15 anos. A entrada para os espetáculos com temática adulta está liberada para maiores de 14 anos.
Nesta 8ª edição, além de espetáculos consagrados com premiação nacional, serão oferecidas também duas oficinas. O professor, diretor teatral e dramaturgo Ribamar Ribeiro ministra para artistas da região, de 29 de setembro a 1º de outubro, a oficina - O teatro e seu valor artístico na estrutura de pesquisa de linguagem. Já no Espaço Cultural Sylvio Monteiro, nas mesmas datas, o diretor teatral e especialista em literatura infanto-juvenil Carlos Augusto Nazareth, coordena a oficina "Teatro infantil e o texto teatral na escola". Também no local, dia 2 de outubro, acontece o seminário "Teatro para a infância e juventude: o que estamos fazendo?" com profissionais renomados de diversas áreas de atuação.
O EncontrArte foi criado em 2002 e desde então vem reunindo grupos teatrais de toda a região e agregando grupos de outras localidades do estado, visando a melhoria da qualidade profissional e solidificação do mercado de trabalho. Nas edições anteriores (2002 a 2007), o evento somou mais de 50 mil espectadores e envolveu mais de 200 artistas e técnicos locais. Ano passado, o público foi de 12 mil espectadores com o envolvimento de 400 profissionais. Pela sua ação em prol de democratização do acesso à cultura e formação dos profissionais da área, o EncontrArte ganhou o Prêmio Cultura Nova Dez do Governo do Estado em 2004.
Programação
25/9 , 10h Antes Que o Galo Cante - Os Ciclomáticos Cia de Teatro
Local: Teatro do Sesc de Nova Iguaçu O espetáculo recebeu 14 prêmios e várias indicações em festivais nacionais no Sul e Sudeste. Árvores seculares e prados floridos compõem esta linda e bela floresta onde uma borboleta poeta narra esta história de amor. Para viver este amor, o Sabiá Laranjeira Junior e a Gata Malhada do Mato, terão que passar por muitas dificuldades. Classificação livre.
25/9, 20h O Piolho, a Caolha, a Morta e as Quatro Irmãs que não Deviam Falar - Grupo Cutucurim
Local: Teatro do Sesc de Nova Iguaçu Espetáculo ganhador do Prêmio Angélica Daher de estímulo ao Teatro. Baseada em contos populares pesquisados por Câmara Cascudo, a peça conta histórias divertidas sobre a menina que cria um piolho, o segredo de uma mulher caolha, uma jovem menina que chora de saudade do irmão e quatro irmãs que quando falavam era um desastre. Classificação 14 anos.
26/9, 20h Os Intrusos - Grupo Cia Os Intrusos
Local: Teatro do Sesc de Nova Iguaçu O espetáculo reúne esquetes que brincam com o cotidiano dos seres humanos, o que possibilita perceber momentos comuns da vida pela visão do humor ingênuo. A história começa em um domingo de sol. A Rádio Paraíso está com uma imperdível promoção, que é o único bilhete para entrar na cobiçada praia World Beach Forever my Dreams. Lá, muitas situações praianas, além da temida chuva. Classificação 14 anos.
27/9, 16h Cabeça de Vento- Bia Bedran
Local: Teatro do Sesc de Nova Iguaçu
Numa mistura que envolve literatura, poesia e brincadeira com seu jeito peculiar de envolver adultos e crianças, Bia faz um passeio pelo universo sonoro criado por ela. Ao lado de excelentes músicos interpreta sucessos que marcaram gerações como Dona Árvore, Videotinha e As Caveiras, entremeadas com participações de bonecos e adereços. Classificação Livre.

28/9, 10h A Turma do Chaves - Miraguri Produções Artísticas
Local: Espaço Cultural Sylvio Monteiro O grupo iguaçuano homenageia a série de Roberto Bolaños, que faz sucesso há décadas entre adultos e crianças em vários países. Eles usam o humor ingênuo e direto dos personagens para educar divertindo, ao abordar temas que tratam de valores morais e sociais. Classificação Livre.

28/9, 20h Improzap - Cia Teatro do Nada
Local: Espaço Cultural Sylvio Monteiro Este terceiro espetáculo de improvisação mostra um amadurecimento na trajetória da companhia, pois as histórias improvisadas têm estruturas e narrativas mais elaboradas. Os improvisadores criam histórias inspiradas em autores e vertentes dramatúrgicas diversas como de Shakespeare, Suassuna, Brecht, Tarantino, Martins Pena, Ibsen, Nelson Rodrigues e outros estilos que o público escolherá para ver naquela noite. Classificação Livre

29/9, 10h O Segredo de Cocachim - Fábula moderna em ritmo de aventura.
Local: Teatro do Sesc de Nova Iguaçu Um misterioso tesouro transforma o cotidiano de duas crianças, Beto e Bia, que ao encontrar mapa do tesouro numa loja do SAARA, no Centro do Rio, partem em busca de um segredo enterrado num velho baú e escondido no tempo, numa ilha misteriosa. Em 2009 a peça de Denise Crispun completa 20 anos. Classificação Livre.
29/9, 20h Meu Nome é M - Cia Os Cênicos
Local: Teatro do Sesc de Nova Iguaçu A personagem M vai entrar em cena, mas antes do terceiro sinal é atravessada por lembranças de suas peças experimentais, telefonemas loucos do ex-marido, regressões reveladoras e casos amorosos inesquecíveis. M está entre a ficção que irá representar e a realidade de seu dia-a-dia. Resta saber qual espetáculo o público irá assistir. Meu Nome é M é uma comédia monólogo com Marília Martins e direção de Ribamar Ribeiro. Classificação 14 anos.

30/9, 10h Levitador Interplanetário Xereta Orbital - Com a Cia ACB Teatral
Local: Teatro do Sesc de Nova Iguaçu Nenhuma criança quer brincar com uma menina isolada no pátio da escola. A garota se sente rejeitada pelos colegas e encontra uma lata onde está escrito L-I-X-O. A lata solta ruídos e de dentro desta, sai um palhaço extra-terrestre. Eles fazem uma viagem interplanetária, passando pelos planetas Trabalho, Preguiça, Tristeza e Alegria. Quando voltam a menina descobre que é bom ser diferente dos outros e ter vontade própria. Classificação Livre.

30/9, 20h O Tradutor de Poesias - Com a Cia Teatral Multiface e a Cia Língua Afiada
Local: Teatro do Sesc de Nova Iguaçu História de um estrangeiro que chega a uma vila de pescadores e se diz "tradutor de poesias". É contada por 14 atores que narram o drama da hipocrisia social e leva o espectador a refletir sobre a verdadeira face do ser humano e aquela que ele aparenta ter. Classificação 14 anos.

1/10, 10h Férias no Sítio - Centro Teatral Etc e Tal
Local: Teatro do Sesc de Nova Iguaçu Unindo mímica e humor à linguagem teatral, o grupo foi convidado para apresentar o espetáculo na Dinamarca em 2003. Conta a história de um garoto que passa todo o tempo em frente ao jogo de vídeo gama e se recusa a comer, tomar banho e estudar. Ele pensa ter os poderes dos personagens dos jogos. Até que se transforma em um de seus bonecos-robô e é aprisionado na tela de computador. Classificação Livre.

1/10, 20h Sete Cabeças- Grupo Código
Local: Teatro do Sesc de Nova Iguaçu A companhia de Japeri conta a história dos setes pecados de alguém bem conhecido. Além de muito humor, "Sete Cabeças", traz conflitos individuais e coletivos, verdadeiros da humanidade, com um conceito de que há uma grande possibilidade do "errado" não ser "o errado", do "certo" não ser "o certo" e de que às vezes podemos ser tudo aquilo que condenamos. Classificação 14 anos.
2/10, 16h A Incrível Viagem da Família Aço - Cia Entreato
Local: Espaço Cultural Sylvio Monteiro Tudo começa com o pedido de aniversário de Junior. Ele quer encontrar sua mãe. Assim, o palhaço menino parte numa viagem emocionante que passa por Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Maranhão, Goiás, até chegar ao Rio Grande do Sul. De norte a sul, eles vão conhecer o imaginário popular, as diferentes músicas, personagens e sotaques da divertida alma brasileira. Classificação Livre.
Oficinas:
29/9, 30/9 e 1/10, 13h às 18h O teatro e seu valor artístico na estrutura de pesquisa de linguagem - Com Ribamar Ribeiro
Local: Sesc Nova Iguaçu - Grátis
Classificação livre

29/9, 30/9 e 1/10, 9h às 17h O teatro infantil e o texto teatral na escola - Com Carlos Augusto Nazareth
Local: Espaço Cultural Sylvio Monteiro - Grátis
Classificação livre
2/10, 17h Seminário: Teatro para infância e juventude: o que estamos fazendo?
Local: Espaço Cultural Sylvio Monteiro - Grátis
Classificação livre

3/10, 19h Encerramento (performances de artistas)
Local: Sesc Nova Iguaçu - Grátis
Classificação livre

A gratuidade dos espetáculos está sujeita à lotação do espaço.
Mais informações: 2797-3009.

SESC Nova Iguaçu
Rua Dom Adriano Hipólito, 10 - Moquetá

Espaço Cultural Sylvio Monteiro
Rua Getúlio Vargas, 50 - Centro / Nova Iguaçu
Veja mais e confira outras programações em :

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A medida da paixão

Lenine

É como se a gente não soubesse
Pra que lado foi a vida
Por que tanta solidão
E não é a dor que me entristece
É não ter uma saida
Nem medida na paixão

Foi, o amor se foi perdido
Foi tão distraido
Que nem me avisou
Foi, o amor se foi calado
Tão desesperado
Que me machucou

É como se a gente presentisse
Tudo que o amor não disse
Diz agora essa aflição
E ficou o cheiro pelo ar
Ficou o medo de ficar
Vazio demais meu coração

Foi, o amor se foi perdido
Foi tão distraido
Que nem me avisou
Foi, o amor se foi calado
Tão desesperado
Que me maltratou

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Resiliência? O que é isso?

Está sendo bastante comum escutar nas empresas, nas escolas e a imprensa falar de que temos que ser resilientes. E os resilientes são aqueles que são capazes de vencer as dificuldades, os obstáculos, por mais fortes e traumáticos que elas sejam. Pode ser desde um desemprego inesperado, a morte de um parente querido, a separação dos pais, a repetência na escola ou uma catástrofe como um tsunami. Aliás, já se encontram muitos livros abordando o assunto como o Resiliência: descobrindo as próprias fortalezas, organizado por Aldo Melilo e Elbio Nestor Suárez Ojeda. Nesse e noutros livros e artigos encontramos os autores relatando que o conceito de resiliência passou de uma fase de “qualidades pessoais”, até ao conceito mais atual de compreendê-la como um atributo da personalidade desenvolvido no contexto psico-sócio-cultural em que as pessoas estão inseridas. E desde os anos 80 a escola tem sido vista como um desses ambientes, por excelência, para haver o enriquecimento da resiliência.
No Brasil, o assunto da resiliência se torna fundamental quando examinamos o fato de a taxa de crescimento econômico brasileiro – mesmo o país sendo tido como nação emergente – em 1996 ter sido de apenas 2,7%. Em 1997 ela terminou em 3,6% e, no ano seguinte, pifiamente – em apenas 0,12%. Em 1999 se marcou 0,8% e para 2000 houve uma alentadora taxa de 4,2%. Os dados e as projeções elaboradas pelo próprio IBGE para o triênio (2001-2004), nesse tópico e naqueles relacionados ao crescimento da condição econômica e melhora de vida, foram números lamentados por toda a sociedade.
Embora tais realidades estejam presentes no cenário brasileiro, e se fazem presentes no âmbito da resiliência, a pesquisa e a produção científica em torno desse tema, no que concerne à psicologia e à educação, começaram a surgir no Brasil apenas na última década.
No campo da educação temos dois aspectos relacionados. O primeiro diz espeito à resiliência da escola enquanto instituição que reúne diferentes sistemas humanos. O segundo contempla o aspecto particular da pessoa do professor e do aluno. Com relação a esse aspecto, embora seja um tema da subjetividade humana, pesquisadores como Edith Grotberg já disseram que ela é bastante mensurável. Uma vez que é possível compreendê-la como associada às fases do desenvolvimento humano; entendê-la como peculiar quanto ao gênero; não se subordina ao nível sócio-econômico; se difere dos fatores de risco e dos fatores de proteção; se trata de um dos atributos da saúde mental e da boa capacidade de aprender e é um processo que pode ser entendido com seus fatores, comportamentos e resultados resilientes. Por estar relacionada a diversas áreas da subjetividade humana é que ela carece de um alto grau de flexibilidade no curso de uma vida.
Particularmente na educação é possível ter muito mais êxito, se na vida houver flexibilidade de se viver ricamente os vínculos e os afetos que nos rodeiam. A falta de flexibilidade em situações de traumas e sofrimentos é uma das dificuldades para harmonizar um projeto de vida.
A flexibilidade e a riqueza dos vínculos se tornaram objetos de estudos desde os primórdios da pesquisa sobre resiliência. Elas estavam presentes nas próprias palavras de Frederic Flach, ao cunhar o termo em 1966 para o âmbito das ciências humanas, querendo dizer que em face da desintegração psíquico-emocional, uma pessoa necessita descobrir novas formas de lidar com a vida e dessa experiência se reorganizar de maneira eficaz. Segundo Richardson, por exemplo, muito se pode aprender sobre o que seja resiliência, particularmente quando olhamos para uma pessoa e podemos nela verificar a presença de um padrão de comportamento de defesa, seguido de padrões de adaptação e, por fim, da presença de padrões resilientes.
Esses elementos são organizados e os teóricos costumam chamar de Fatores de resiliência. Nós mesmos trabalhamos com uma escala que mensura tais índices. Trata-se do “Questionário do Índice de Resiliência: Adultos - Reivich - Shatté / Barbosa”. A escala mensura sete Fatores que constituem a resiliência: A administração das emoções, descrita como a habilidade de se manter calmo sob pressão. O controle dos impulsos, compreendido como a habilidade de não agir impulsivamente e a capacidade de mediar os impulsos e as emoções. Otimismo, a habilidade de ter a firme convicção de que as situações irão mudar quando envolvidas em adversidades e manter a firme esperança de um futuro melhor. A análise do ambiente, descrita como a habilidade de identificar precisamente as causas dos problemas e adversidades. A empatia, revelando a habilidade de ler os estados emocionais e psicológicos de outras pessoas. Auto-eficácia, como a convicção de ser eficaz nas ações. Alcançar Pessoas, a habilidade de se conectar a outras pessoas para viabilizar soluções para as intempéries da vida.
E, para cada fator constitutivo mensurado com escore “abaixo da média”, interpreta-se como uma área sensível da vida. Quando ocorrerem quatro ou mais fatores como escores “abaixo da média”, compreende-se como uma pessoa em situação de risco. Estes sete fatores foram selecionados por serem concretos e de possível mensuração, podem ser ensinados e melhorados em programas padrão de comportamento de defesa, seguido de padrões de adaptação e, por fim, da presença de padrões resilientes.
Esses elementos são organizados e os teóricos costumam chamar de Fatores de resiliência. Nós mesmos trabalhamos com uma escala que mensura tais índices. Trata-se do “Questionário do Índice de Resiliência: Adultos - Reivich - Shatté / Barbosa”. A escala mensura sete Fatores que constituem a resiliência: A administração das emoções, descrita como a habilidade de se manter calmo sob pressão. O controle dos impulsos, compreendido como a habilidade de não agir impulsivamente e a capacidade de mediar os impulsos e as emoções. Otimismo, a habilidade de ter a firme convicção de que as situações irão mudar quando envolvidas em adversidades e manter a firme esperança de um futuro melhor. A análise do ambiente, descrita como a habilidade de identificar precisamente as causas dos problemas e adversidades. A empatia, revelando a habilidade de ler os estados emocionais e psicológicos de outras pessoas. Auto-eficácia, como a convicção de ser eficaz nas ações. Alcançar Pessoas, a habilidade de se conectar a outras pessoas para viabilizar soluções para as intempéries da vida.
E, para cada fator constitutivo mensurado com escore “abaixo da média”, interpreta-se como uma área sensível da vida. Quando ocorrerem quatro ou mais fatores como escores “abaixo da média”, compreende-se como uma pessoa em situação de risco. Estes sete fatores foram selecionados por serem concretos e de possível mensuração, podem ser ensinados e melhorados em programas educativos específicos.
E agora, vamos desenvolver resiliência?

Palavras-chave: resiliência; saúde, educação.

Bibliografia
Barbosa GS. A Dinâmica dos Grupos: num enfoque sistêmico. São Paulo: Robe; 1995.
Barbosa GS. “Questionário do índice de resiliência: Adultos - Reivich - Shatté / Barbosa” [tese]. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 2006.
Flach F. Resiliência: a arte de ser flexível. Traduzido por Wladir D. São Paulo: Saraiva. 1991.
Richardson GE. The metatheory of resilience and resiliency. J Clin Psychol. 2002;58(3):307-321.
Melilo A., Nestor E., Ojeda S. Resiliência: descobrindo as próprias fortalezas. Porto Alegre: Pioneira Editora. 2006.

*George Souza Barbosa é psicólogo e educador.

Resiliência - A Rapidez de se Levantar Após a Queda

Você perdeu o emprego, seu cônjuge pediu o divórcio, algo catastrófico ocorreu para você (acidente, morte de um ente querido, um crime, enchente ...) Como você reage a isto?
Você certamente irá sofrer porque a nós nos foi ensinado que coisas deste tipo nos provocam dores. Você se afunda em si mesmo e pode até chegar a afirmar “que está no fundo do poço”.
Para mais, a sociedade como um todo (pais, amigos, parentes, professores) nos ensina que acontecimentos ruins como o erro, a falha ou o fracasso também são coisas horríveis. Mas ninguém nos ensina como aprender com eles e vislumbrar novos caminhos para nos tornarmos melhores, se as coisas vierem a se repetir.
Imagine-se agora ocupando um cargo de alta gerência ou superior em uma organização líder de mercado. Certamente você estará sofrendo pressões, cobranças, sobrecarga de tarefas, medo de desemprego e “otras cositas mas” oriundas da globalização e da nova economia. E como você reage a isto?
Em qualquer destas situações acima, citadas apenas como exemplos, iremos reagir de acordo com nossas crenças e nossos valores. Mas, o que devemos ter em conta, que é pela mente que iremos perceber tais fatos. E estes fatos irão gerar respostas após serem “filtrados” pelas nossas mentes.
Portanto, nossas reações boas ou ruins vão depender de como nossa mente interpreta o evento ou a situação. E isto é algo individual, ou seja, cada ser humano reage de uma maneira. Assim sendo, o estresse pode ser compreendido como a forma de se perceber cada fato ou evento. O que para uns pode representar um risco ou uma fonte de estresse, pode não ser para outros. O que pode, para uns, representar um risco em um determinado momento de suas vidas, pode não sê-lo em outro momento.
A diferença está em nossa reação. A vivência de algo negativo nos ensina a reagir de forma diferente e mais serena caso o mesmo evento venha a se repetir, o que faz com que não tenhamos as mesmas reações. E não iremos tê-las porque nos adaptamos, nos reajustamos e aprendemos a reagir de forma mais inteligente para não chegarmos, novamente, “ao fundo do poço”.
Esta capacidade humana tem o nome de resiliência. É uma palavra oriunda da Física e definida como a propriedade pela qual a energia armazenada em um determinado corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora de uma deformação elástica (Dicionário Aurélio), ou seja, a capacidade de um corpo voltar ao seu estado normal após ter sofrido uma pressão (deformação) que foi removida.
Em Ciências Sociais, a resiliência é “uma qualidade de resistência e perseverança da pessoa humana face às dificuldades que encontra.. Em Medicina, é “a capacidade que o indivíduo tem de resistir, por si próprio ou por medicamentos, a uma doença, infecção ou intervenção”.
Em Biologia, é “a capacidade que a natureza tem de se reorganizar após passar por uma situação de devastação).
Em Psicologia é “a capacidade que o ser humano tem em superar situações adversas (perdas, estresse, crises) com o mínimo de disfuncionalidade no seu comportamento, adaptando-se ou ajustando-se à nova situação”.
O Dr.Alberto D’Auria nos fornece o seguinte exemplo: “um indivíduo submetido a situações de crises, estresse ou perdas e que sabe vencer sem lesões severas (rachaduras) é um resiliente Já aquele(a) que não possui resiliência é chamado(a) “homem ou mulher de vidro”, que se “quebra” ao ser submetido a pressões e situações estressantes. A idéia de resiliência pode ser comparada às modificações da forma de uma bexiga parcialmente inflada: se comprimida, adquirindo as formas mais diversas e retornando ao seu estado inicial após a remoção das pressões exercidas sobre a mesma”.
Já Tavares, define resiliência como “a capacidade de responder de forma mais consistente aos desafios e dificuldades, de reagir com flexibilidade e capacidade de recuperação diante de desafios e circunstâncias desfavoráveis, obtendo uma atitude otimista, positiva e perseverante e mantendo um equilíbrio dinâmico durante e após os embates”.
Deste modo, resiliência é a capacidade que o indivíduo possui em saber lidar com pressões e situações difíceis e adversas, sem prejuízo de sua saúde física e de seu equilíbrio emocional. Quem é resiliente consegue recuperar-se após vencer cada desafio. E, quanto mais resiliente é a pessoa, menor será o índice de doenças e maior será seu desenvolvimento pessoal.
Resiliência significa equilíbrio entre tensão e capacidade de lutar, além de servir de aprendizado para estarmos preparados quando outra situação adversa acontecer. Pessoas resilientes abrem-se para outro nível de consciência.
Atualmente, várias organizações têm fornecido ferramentas e treinamentos nesta área, pois aquele colaborador que não desenvolve a resiliência poderá apresentar queda de produtividade e desenvolvimento de doenças. Com isto, todos os colaboradores e líderes terão a oportunidade de aumentar o conhecimento de si mesmos, mudar suas respostas, tanto comportamentais como emocionais, diminuir a ansiedade e o estresse frente as adversidades e aumentar sua confiança quando incertezas se fizerem presentes.


http://www.ogerente.com.br/novo/colunas_ler.php?canal=6&canallocal=27&canalsub2=86&id=875

Resilientes

Saiba tudo sobre resiliência e veja por que as empresas preferem os resilientes
21 de julho de 2008 às 00:01

É a competência do momento. Livros, jornais e revistas deixaram um pouco o tema liderança de lado - cá entre nós, já estava ficando cansativo - e passaram a falar de resiliência. Elástico e silicone. Por incrível que pareça, essas palavras têm tudo a ver com os profissionais. Explica-se: o termo resiliência provém do latim, do verbo resilire, que significa "voltar para trás" ou "voltar ao estado natural". Historicamente, a noção de resiliência foi primeiramente utilizada pela Física e pela Engenharia, que entendia que a palavra significava "propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora da deformação elástica". A explicação é do consultor organizacional Eduardo Carmello, diretor da Entheusiasmos Consultoria em Talentos Humanos e autor do livro "Resiliência - A transformação como ferramenta para construir empresas de valor", da Editora Gente. Ele conta que o conceito se desenvolveu e, hoje, as empresas enxergam resiliência como algo muito mais amplo. "As pessoas escutam de seus chefes ou lêem em algum lugar que elas precisam ser resilientes, mas não entendem o que isso significa. Quando procuram no dicionário, encontram a definição que diz que resiliência é o poder de recuperação, a capacidade de suportar pressão. Com isso, elas entendem que precisam ser passivas. Mas resiliência não é isso", conta. Afinal, o que é resiliência? Carmello explica que resiliência é a capacidade de: - Promover as mudanças necessárias para atingir seus objetivos e os da empresa; - Manter as competências e habilidades, mesmo diante das adversidades; - Antecipar crises, prever adversidades e se preparar para elas; - Ter firmeza de propósito e manter a integridade. "O profissional resiliente tem três principais características: ele é antenado no mercado e detecta os sinais de oportunidades, frente a mudanças ou adversidades, sem ficar só olhando para o lado ruim da situação; ele consegue entregar o que promete; e ele é capaz de promover mudanças estratégicas e entender seu valor", afirma Carmello. Por que as empresas preferem os resilientes? "A maioria dos profissionais, cerca de 80%, segundo pesquisas, tem suas competências diminuídas frente a um ambiente de tensão ou de mudança", sublinha o especialista. Para quem não consegue imaginar a dimensão do problema, vale a pena enfatizar os inúmeros riscos aos quais as empresas estão submetidas. Entrada de novos concorrentes no mercado, enfraquecimento do dólar - o que prejudica as exportações -, alta da inflação, saída de funcionários em posições estratégicas, para citar apenas alguns. Carmello ainda lembra que, no mundo empresarial, a cada dez projetos de mudança, apenas um dá certo. "O resiliente não espera a crise acontecer para fazer algo, ele se antecipa às mudanças, porque está sempre ligado para o que acontece no mercado, fora da empresa. É o que mais se espera dos profissionais hoje. Se você acha que, nos últimos dez anos, muita coisa mudou, é porque não sabe o que irá acontecer nos próximos dez". Em outras palavras, espera-se que os profissionais sejam protagonistas e agentes das mudanças no mercado. "Será que, de fato, ninguém esperava a crise no setor imobiliário americano? Será que o dólar mais fraco era imprevisível? Muitos dizem que a crise financeira que atinge os Estados Unidos não chegará ao Brasil, mas não é certeza. A verdade é que o mercado financeiro é muito imaturo. Por conta de especulações, as pessoas entram em pânico e daí surge a crise. Não é alarmismo, mas o resiliente se prepara para a realidade do mercado". Como cultivar a resiliência No livro "Resiliência - A transformação como ferramenta para construir empresas de valor", o consultor dá algumas dicas de como se tornar um profissional resiliente. Comece se questionando: - No momento em que o obstáculo apareceu, você caminhava para alcançar o quê? - Você está alinhado a algum processo ou desafio estratégico? - Você procura olhar para a verdadeira dimensão da realidade, transformando a tensão e o foco de energia não em adversidade, mas em um propósito maior? - O que você considera como adversidade? - O que você está fazendo com relação às adversidades? - Que tipo de postura você adota: enfrentar a situação ou se desviar do problema? (seja sincero na resposta) - O que você pode fazer para promover o crescimento e o fortalecimento da empresa? Agora, analise a seguinte situação, para avaliar seu nível de resiliência: o gás explodiu e queimou a casa inteira: Nível 1 de resiliência: recuperando-se de traumas: - Atitude: Não se antecipou ao acidente nem à conseqüência dele. - Resposta resiliente: "Eu não consegui, no momento, ativar recursos ou competências necessárias para controlar o acidente, mas saí vivo de lá". Nível 2: tornando-se mais flexível, leve e consistente: - Atitude: Conseguir agir bem diante do grau de exigência da conseqüência, mesmo sem ter se antecipado à situação. - Resposta resiliente: "Eu consigo agir antes que a conseqüência se torne desastrosa". Nível 3: Crescer, mesmo em ambiente de mudança e adversidade: - Atitude: Necessidade de ampliar recursos para lidar com o alto nível de exigências das conseqüências em razão de não ter se antecipado à situação. - Resposta resiliente: "Eu consigo construir competência a tempo de minimizar o impacto da conseqüência, ou seja, recorro a amigos, chamo os bombeiros, isolo materiais inflamáveis etc." Nível 4: Antecipando acontecimentos e transformando a realidade: - Atitude: Antecipar-se para que, frente à situação, nada de errado aconteça, talvez nem a própria situação venha a acontecer. - Resposta resiliente: "Eu me antecipo à situação, evitando que ela aconteça e obtendo total controle sobre a situação e/ou a conseqüência dela".


http://www.administradores.com.br/noticias/saiba_tudo_sobre_resiliencia_e_veja_por_que_as_empresas_preferem_os_resilientes/15984/

Resiliência

Por Professora Sandra Maia Farias Vasconcelos, Dr.

Há mais de quarenta anos, a ciência tem-se interrogado sobre o fato de que certas pessoas têm a capacidade de superar as piores situações, enquanto outras ficam presas nas malhas da infelicidade e da angústia que se abateram sobre elas como numa rede engodada. Por que certos indivíduos são capazes de se levantar após um grande trauma e outros permanecem no chamado fundo do poço, incapazes de, mesmo sabendo não ter mais forças para cavar, subir tomando como apoio as paredes desse poço e continuar seu caminho?
As experiências e estudos feitos têm mostrado algumas explicações científicas sobre esse fato. A biologia defende o ponto de vista de que cada ser humano é dotado de um potencial genético que o faz ser mais resistente que outros. A psicologia, por sua vez, dá realce e importância das relações familiares, sobretudo na infância, que construirá nesse individuo a capacidade de suportar certas crises e de superá-las. A sociologia vai fazer referência à influência do entorno, da cultura, das tradições como construtores dessa capacidade do individuo de suplantar as adversidades. A teologia traz um aporte diferente pela própria subjetividade transcendente, uma visão outra da condição humana e da necessidade do sofrimento como fator de evolução espiritual: o célebre “dar a outra face”.
Mas foi o cotidiano das pessoas que passam por traumas, que realmente atravessam o vale das sombras, o que realmente atraiu a curiosidade de cientistas do mundo inteiro. Não são personagens de ficção que se erguem após a grande queda; são homens, mulheres, crianças, velhos, o individuo comum do mundo que retoma sua vida após a morte de um filho, a perda de uma parte de seu corpo, a perda do emprego, doenças graves, físicas ou psíquicas, em si mesmo ou em alguém da família, razões suficientes para levar um individuo ao caos. Esses que são capazes de continuar uma vida de qualidade, sem auto-punições, sem resignação destruidora, que renascem dos escombros, esses são seres resilientes.
A resiliência é um termo oriundo da física. Trata-se da capacidade dos materiais de resistirem aos choques. Esse termo passou por um deslizamento em direção às ciências humanas e hoje representa a capacidade de um ser humano de sobreviver a um trauma, a resistência do individuo face às adversidades, não somente guiada por uma resistência física, mas pela visão positiva de reconstruir sua vida, a despeito de um entorno negativo, do estresse, das contrições sociais, que influenciam negativamente para seu retorno à vida. Assim, um dos fatores de resiliência é a capacidade do individuo de garantir sua integridade, mesmo nos momentos mais críticos.
Não se é resiliente sozinho, embora a resiliência seja íntima e pessoal. Um dos fatores de maior importância é o apoio e o acolhimento, feito em geral por um outro individuo, e essencial para o salto qualitativo que se dá. Alguns autores nomearam essas pessoas: Flash chamou-o mentor de resiliência; Cyrulnik chamou-o tutor de resiliência; muito antes Bolwby chamou-o figura de apego. Denominações a parte, a resiliência ganha hoje seu espaço na pesquisa em ciências humanas, médicas, sociais, administrativas etc.
Mas não se forma um mentor/tutor/figura de apego. Não se pode dizer que alguém vai ser a partir de agora esse individuo que vai chegar para operar o milagre. A resiliência é, na verdade, o resultado de intervenções de apoio, de otimismo, de dedicação e amor, idéias e conceitos que entram sorrateiramente nas ciências como causa e efeito, intervenção e resultado, hipótese e tese de que as relações intra e interhumanas são relações que ultrapassam o rigor do empirismo para encontrar o acaso.

domingo, 16 de agosto de 2009

Era uma vez...

Uma menina que acreditava em sonhos, estrelas, mar, amar...
Certa vez embarcou num sonho. Sonhou amar, sonhou que era amada.
Acreditou em sorrisos, flores e palavras.
Viveu um mar de emoções...
Era só alegria, era só harmonia.
Entretanto, o que era só magia findou.
Jamais entendera.
Sonhou sozinha. Amou sozinha. Era sozinha.
Não desvendara o mar...
Caiu das estrelas.
E foi assim ... para todo o sempre!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Entreolhares - Ana Carolina e John Legend

Se ficar assim me olhando
Me querendo, procurando
Não sei não eu vou me apaixonar
Eu não tava nem pensando
Mas você foi me pegando
E agora importa onde vá
Me ganhou vai ter que me levar

Você me vê assim do jeito que eu sou
É e faz de mim, tudo que bem quer
Eu que sei tão pouco de você
E você que teme em me querer
Se ficar assim me olhando
Me querendo, procurando
Não sei não eu vou me apaixonar
Eu não tava nem pensando
Mas você foi pegando
E agora não importa onde vá
Me ganhou, vai ter que me levar
Com você é bom qualquer lugar

The way you're looking at me
You go with me?, you want me
Can't help myself I gotta be in love
I wasn't even thinkingand now you got me sinking
I need you baby, I can't get enough
You got me
That's where I'll always be
I know you see me just the way I am
But just think of me
What you want me to be
I know you found the moment that we met
It's giving me a love
I won't forget

Se ficar assim me olhando
Me querendo, procurando
Não sei não eu vou me apaixonar
Eu não tava nem pensando
Mas você foi pegando

I need you baby
I can't get enough
You got me, that's where I'll always be
I'll go there, go anywhere with you!

Se ficar assim me olhando
Me querendo, procurando
Não sei não eu vou me apaixonar

I wasn't even thinking
And now you got me sinking!
I need you baby, I can't get enough!

Me ganhou vai ter que me levar

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Receita da D. Cacilda

Dona Cacilda é uma senhora de 92 anos, miúda, e tão elegante, que todo dia às 08 da manhã ela já está toda vestida, bem penteada e discretamente maquiada, apesar de sua pouca visão. E hoje ela se mudou para uma casa de repouso: o marido, com quem ela viveu 70 anos, morreu recentemente, e não havia outra solução. Depois de esperar pacientemente por duas horas na sala de visitas, ela ainda deu um lindo sorriso quando a atendente veio dizer que seu quarto estava pronto. Enquanto ela manobrava o andador em direção ao elevador, dei uma descrição do seu minúsculo quartinho, inclusive das cortinas floridas que enfeitavam a janela. Ela me interrompeu com o entusiasmo de uma garotinha que acabou de ganhar um filhote de cachorrinho. -
Ah, eu adoro essas cortinas...
- Dona Cacilda, a senhora ainda nem viu seu quarto... Espera um pouco...
- Isto não tem nada a ver, ela respondeu, felicidade é algo que você decide por princípio. Se eu vou gostar ou não do meu quarto, não depende de como a mobília vai estar arrumada... Vai depender de como eu preparo minha expectativa. E eu já decidi que vou adorar. É uma decisão que tomo todo dia quando acordo. Sabe, eu posso passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem... Ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem. - Simples assim? - Nem tanto; isto é para quem tem autocontrole e exigiu de mim um certo 'treino' pelos anos a fora, mas é bom saber que ainda posso dirigir meus pensamentos e escolher, em consequência, os sentimentos.
Calmamente ela continuou:
- Cada dia é um presente, e enquanto meus olhos se abrirem, vou focalizar o novo dia, mas também as lembranças alegres que eu guardei para esta época da vida. A velhice é como uma conta bancária: você só retira aquilo que guardou. Então, meu conselho para você é depositar um monte de alegrias e felicidades na sua Conta de Lembranças. E, aliás, obrigada por este seu depósito no meu Banco de Lembranças. Como você vê, eu ainda continuo depositando e acredito que, por mais complexa que seja a vida, sábio é quem a simplifica. Depois me pediu para anotar:
COMO MANTER-SE JOVEM
1. Deixe fora os números que não são essenciais. Isto inclui a idade,o peso e a altura. Deixe que os médicos se preocupem com isso.
2. Mantenha só os amigos divertidos. Os depressivos puxam para baixo. (Lembre-se disto se for um desses depressivos!)
3. Aprenda sempre: Aprenda mais sobre computadores, artes, jardinagem, o que quer que seja. Não deixe que o cérebro se torne preguiçoso. 'Uma mente preguiçosa é oficina do Alemão.' E o nome do Alemão é Alzheimer!
4. Aprecie mais as pequenas coisas.
5. Ria muitas vezes, durante muito tempo e alto. Ria até lhe faltar o ar. E se tiver um amigo que o faça rir, passe muito e muito tempo com ele ou ela!
6. Quando as lágrimas aparecerem, aguente, sofra e ultrapasse. A única pessoa que fica conosco toda a nossa vida somos nós próprios. VIVA enquanto estiver vivo.
7. Rodeie-se das coisas que ama: Quer seja a família, animais, plantas, hobbies, o que quer que seja. O seu lar é o seu refúgio.
8. Tome cuidado com a sua saúde: Se é boa, mantenha-a. Se é instável, melhore-a. Se não consegue melhorá-la , procure ajuda.
9. Não faça viagens de culpa. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país diferente, mas NÃO para onde haja culpa.
10. Diga às pessoas que ama que as ama a cada oportunidade.

Se puder, partilhe com alguém! "De nada vale a pena se não tocarmos o coração das pessoas."

Contribuição da querida amiga Leila Galdeano!!!
Te amo querida!
Saudades. Beijão.

Tudo certo - Luiza Possi

Calma, tenha calma
Minha previsão do tempo
Diz que hoje não vai chover
Alma, minha alma
Voa leve pelo vento
E me leva até você
Você me faz bem quando chega perto
Com esse seu sorriso aberto
Muda o meu olhar, meu jeito de falar
Junto de você fica tudo bem, tudo certo

Sei, eu sei que vejo
Mais estrelas que eu deveria
Mas é que eu sou mesmo assim
Sinto, sinto tanto
A sua falta todo dia
Volta e traz você pra mim
Quem mandou você passar
Pelo meu caminho?
Quantas vezes eu vou ter que repetir?
Quantas vezes?

Você me faz bem quando chega perto
Com esse seu sorriso aberto
Muda o meu olhar, meu jeito de falar
Junto de você fica tudo bem...
Você me faz bem quando chega perto
Com esse seu sorriso incerto
Muda o meu olhar, meu jeito de falar
Junto de você fica tudo bem, fica tudo, tudo certo

Quem mandou você passar
Pelo meu caminho?
Quantas vezes eu vou ter que repetir?
Quantas vezes?
Você me faz bem quando chega perto
Com esse seu sorriso aberto
Muda o meu olhar, meu jeito de falar
Junto de você fica tudo bem...
Você me faz bem quando chega perto
Com esse seu sorriso incerto
Muda o meu olhar, meu jeito de falar
Junto de você fica tudo bem, fica tudo, tudo certo

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Reflexão

Proust disse: "A verdadeira origem da descoberta consiste
não em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos".

Você já tentou um novo olhar?

domingo, 12 de julho de 2009

Time...

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DID IT ALL FOR LOVE

Like a flame you touched my life
Felt so good felt so right
Time goes fast love grows slow
It's so hard to let go
I'll remember, I'll remember Now I've got to goI'll remember, I'll remember
Oh I love you so
You gave so much, didn't ask why
I can't explain so please don't cry
We took the chances, broke the line
Now we're running out of timeWe shot the dice
Played the gameDid it all for loveDo it all again
We shot the dice
Played the game
Did it all for love
Do it all again
Oh so much I want to say
Now it's time to go away
Now forever you're with me (yet)You're in my soul, I won't forget.

See more in DID IT ALL FOR LOVE (TRADUÇÃO) de Phenomena no VAGALUME (Letra e ...

domingo, 28 de junho de 2009

Pense

"Para enxergar claro, basta mudar a direção do olhar."
Antoine de Saint-Exupéry

man·da·la (n.) [sanskrit mandalam, circle.]Any of various ritualistic geometric designs symbolic of the universe, used in Hinduism and Buddhism as an aid to meditation. The mandala serves as a collection point for universal forces.

In the West, mandala is also used to refer to the "personal world" in which one lives, the various elements of the mandala or the activities and interests in which one engages, the most important being at the centre of the mandala and the least important at the periphery. Depicting one's personal mandala in pictorial form can give one a good indication of the state of one's spiritual life.

Art work by Lindy Longhurst, an Australian artist.

See more in http://anindiansummer-design.blogspot.com

It's wonderful!!!

Para pensar...

"O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo de água e o bebesse.
- “Qual é o gosto?” - perguntou o Mestre.
- “Ruim” - disse o aprendiz.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago. Então o velho disse:
- “Beba um pouco dessa água”.
Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:
- “Qual é o gosto?”
- “Bom!” - disse o rapaz.
- “Você sente o gosto do sal?” - perguntou o Mestre.
- “Não” - disse o jovem.
O Mestre então, sentou-se ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse:
“A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem do que ao que você perdeu.” "

É agora...

(...)"debaixo do céu há um tempo para cada coisa!"
(...)
Não desanime, ainda que a colheita de hoje não seja muito feliz. Não coloque um ponto final nas suas esperanças. Ainda há muito o que fazer, ainda há muito o que plantar e o que amar nesta vida.
Em vez de ficar parado no que você fez de errado, olhe para frente, e veja o que ainda pode ser feito...
A vida ainda não terminou. E já dizia o poeta que "os sonhos não envelhecem..."
Vá em frente. Sorriso no rosto e firmeza nas decisões.
Deus resolveu reformar o mundo e escolheu o seu coração para iniciar a reforma.
Isso prova que Ele ainda acredita em você. E se Ele ainda acredita, ...

Pe. Fábio de Melo
http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?id=&e=8672

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Ter ou não ter namorado


Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção.A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira:basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes,dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas,medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade,ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.
Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas,de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia,ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágicoou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem nãogosta de falar do próprio amor nem de ficar horase horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele;abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criançae a do amado e vai com ela a parques, fliperamas,beira d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz.Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmoe quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada.Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.
Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e,de repente, parecer que faz sentido.

Artur da Távola

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Para refletir

Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que
alcancemos corações sábios. (Sal. 90.12)

(...)
A pipoca é um milho mirrado, sub-desenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!
(...)
a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa - voltar a ser crianças!Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão - sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: pum! - e ela aparece como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Leia o texto na íntegra em http://www.rubemalves.com.br/apipoca.htm

Carpe Diem

"Carpe Diem" quer dizer "colha o dia". Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente.
Rubem Alves